Desde agosto, a Receita Federal endureceu as regras do Programa Sintonia — a "nota de confiança" que classifica empresas de A+ a D conforme o histórico de regularidade fiscal. O que começou como piloto para grandes contribuintes já alcançou também quem está no Simples Nacional, e a consulta à classificação foi ampliada para centenas de milhares de empresas nas últimas semanas.

O que é o Programa Sintonia

O Sintonia foi instituído pela Lei Complementar nº 225, de 8 de janeiro de 2026, com o objetivo de reconhecer contribuintes que mantêm regularidade cadastral, cumprem obrigações tributárias dentro do prazo e prestam informações fiscais consistentes. Em vez de tratar todo mundo do mesmo jeito, a Receita passa a diferenciar quem tem histórico bom de quem não tem — e a oferecer vantagens reais pra quem está nas classificações mais altas.

Quem pode participar

Na fase inicial, o programa cobria apenas empresas tributadas pelo Lucro Real, Presumido ou Arbitrado, além de entidades imunes e isentas. Mas a participação já foi ampliada para empresas optantes pelo Simples Nacional — ou seja, a maioria dos negócios PJ que este blog acompanha pode, em algum grau, ser avaliada pelo programa.

Ficam de fora: pessoas jurídicas com menos de seis meses de CNPJ, órgãos públicos e organizações internacionais.

Como funciona a classificação

Os critérios avaliados incluem:

  • Regularidade cadastral
  • Pontualidade no cumprimento das obrigações tributárias
  • Consistência das informações prestadas ao Fisco
  • Adimplência dos tributos devidos

Com base nisso, cada empresa recebe uma nota que varia de A+ (melhor) a D (pior). A Receita Federal já ampliou o acesso à consulta da classificação para cerca de 666 mil empresas enquadradas no grau C, permitindo que essas empresas vejam onde estão e o que precisam melhorar.

O que muda com a Instrução Normativa RFB nº 2.339/2026

Publicada em 21 de agosto (Diário Oficial de 28 de agosto), a norma altera as regras anteriores (IN RFB nº 2.316/2026) e endurece os critérios de avaliação. A mudança mais concreta: o Selo Sintonia passa a ter validade de 1 ano, contado a partir do primeiro dia do mês seguinte à sua divulgação — antes, a forma de atualização da classificação era menos clara. A norma também ajusta os mecanismos de atualização da nota e os procedimentos de divulgação do selo.

Por que vale a pena acompanhar sua classificação

Empresas com a nota mais alta (A+) têm acesso a benefícios concretos:

  • Ingresso no Procedimento de Consensualidade Fiscal, pra prevenir e resolver disputas tributárias antes que virem processo
  • Prioridade na análise de pedidos de restituição, ressarcimento e reembolso de tributos federais
  • Atendimento mais ágil na Receita Federal

Pra uma empresa pequena ou média, manter a regularidade que já é obrigatória (declarações em dia, tributos pagos, cadastro correto) passa a ter um retorno adicional: acesso mais rápido ao próprio dinheiro em casos de restituição, e menos atrito em eventuais divergências com o Fisco.

Perguntas frequentes

Como sei minha classificação no Programa Sintonia? A consulta é feita no site da Receita Federal, na área específica do programa — é necessário acesso via login gov.br. Nem toda empresa ainda tem consulta liberada; o acesso está sendo ampliado por lotes.

Empresa MEI participa do Sintonia? As informações públicas até agora tratam de optantes do Simples Nacional ME/EPP e dos regimes do Lucro Real/Presumido/Arbitrado — não há confirmação clara de inclusão do MEI na fase atual.

A classificação baixa gera alguma penalidade automática? Não. O programa funciona por reconhecimento positivo — empresas com nota mais baixa simplesmente não acessam os benefícios extras, mas não sofrem punição adicional só por isso.

Quer saber se sua empresa está pronta pro Sintonia?

A Toro Digital mantém suas obrigações em dia e ajuda a construir o histórico de regularidade que conta pra sua classificação.

Sabrina Oliveira
Escrito por: Sabrina Oliveira Contadora — CRC-MG nº 130092/O

Contadora, administradora de empresas e especialista em Controladoria e Finanças. Sabrina Oliveira construiu sua atuação profissional na interseção entre contabilidade, gestão e estratégia financeira. Com registro ativo no CRC-MG sob o nº 130092/O, reúne formação em Ciências Contábeis e Administração de Empresas e especialização em Controladoria e Finanças. Seu trabalho parte de uma premissa simples: a contabilidade não deve servir apenas para cumprir obrigações, mas para dar ao empresário clareza sobre seus números, riscos e oportunidades. Por isso, sua atuação é voltada à análise empresarial, estruturação financeira e tomada de decisão, traduzindo a complexidade tributária e contábil em informações que façam sentido para quem está à frente de um negócio.