Vender pela internet não é um único modelo de negócio na visão da Receita Federal — e o CNAE que a empresa usa precisa refletir isso. Quem tem loja virtual própria não está classificado da mesma forma que quem opera um marketplace de intermediação entre vendedores e compradores.

Loja virtual própria: você vende, o CNAE é de comércio

Se a empresa compra ou fabrica produtos e vende diretamente ao consumidor através do próprio site, o CNAE correto é de comércio varejista, com destaque para o código específico de comércio varejista realizado através de site ou plataforma na internet (classificação 4791-3/00), além dos códigos específicos de comércio varejista por tipo de produto, quando a loja é especializada em uma categoria.

Marketplace: você intermedia, o CNAE é de intermediação

Se o negócio não vende produto próprio, mas conecta vendedores a compradores e cobra comissão sobre as vendas realizadas na plataforma, a classificação correta tende a ser de intermediação e agenciamento de serviços e negócios em geral (código 7490-1/04) ou, em alguns casos, de atividades de portais, provedores de conteúdo e outros serviços de informação na internet (código 6319-4/00), dependendo de como a receita da empresa é estruturada.

Usar um CNAE de comércio para um negócio que, na prática, só intermedia vendas de terceiros (sem nunca ter a posse do produto) pode distorcer a análise tributária — porque a base de cálculo de comércio normalmente considera a receita bruta da venda, enquanto um marketplace de intermediação deveria tributar sobre a comissão recebida, não sobre o valor total transacionado.

O modelo híbrido: loja própria + venda de terceiros

Muitos negócios digitais combinam os dois modelos: vendem produto próprio e também hospedam vendedores terceiros na mesma plataforma, cobrando comissão. Nesse caso, pode fazer sentido ter dois CNAEs cadastrados — um principal e um secundário — refletindo as duas atividades, com a receita de cada uma apurada separadamente.

Simples Nacional: Anexo I para comércio, atenção ao Fator R para intermediação

Quem vende produto próprio como comércio cai, em geral, no Anexo I do Simples Nacional. Já quem presta serviço de intermediação pode cair no Anexo III ou V, dependendo do Fator R — a relação entre a folha de pagamento e a receita bruta dos últimos 12 meses. Veja o cálculo completo em Simples Nacional: Fator R e os Anexos III e V.

Perguntas frequentes

Minha loja virtual vende produto próprio. Que CNAE eu uso? Em geral, o comércio varejista realizado via internet (4791-3/00), além de códigos específicos por categoria de produto, se a loja for especializada em um tipo de mercadoria.

Tenho uma plataforma que só conecta vendedores a compradores. Isso é comércio? Normalmente não — é intermediação de negócios, com CNAE e tributação diferentes do comércio tradicional, porque a receita da empresa é a comissão, não o valor total da venda.

Dá para ter dois CNAEs se meu negócio faz as duas coisas? Sim. É comum registrar um CNAE principal e um ou mais CNAEs secundários quando a empresa exerce mais de uma atividade relevante, sempre com a receita de cada atividade apurada separadamente.

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Sabrina Oliveira
Escrito por: Sabrina Oliveira Contadora — CRC-MG nº 130092/O

Contadora, administradora de empresas e especialista em Controladoria e Finanças. Sabrina Oliveira construiu sua atuação profissional na interseção entre contabilidade, gestão e estratégia financeira. Com registro ativo no CRC-MG sob o nº 130092/O, reúne formação em Ciências Contábeis e Administração de Empresas e especialização em Controladoria e Finanças. Seu trabalho parte de uma premissa simples: a contabilidade não deve servir apenas para cumprir obrigações, mas para dar ao empresário clareza sobre seus números, riscos e oportunidades. Por isso, sua atuação é voltada à análise empresarial, estruturação financeira e tomada de decisão, traduzindo a complexidade tributária e contábil em informações que façam sentido para quem está à frente de um negócio.